quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma aula dada por um tatu


Passei o carnaval no sítio de uma família muito querida, e entre várias situações que se transformaram em aula, como o privilégio de saborear uma fruta muito gostosa, a qual não conhecia, pude perceber a aula que um tatu pode dar às pessoas.
Pois é! Aprendi que um tatu não pega o alimento que já foi desenterrado e está fácil, a sua disposição. No sítio há uma plantação de mandiocas e aquelas que já haviam sido colhidas e estavam dispostas no chão o tatu não pegou.
Trabalhar para conseguir o seu alimento. Não pegar aquilo que o outro trabalhou para conseguir.
A mídia nos faz sentir como é urgente que muitos daqueles que são os responsáveis por zelar pelas regras básicas de convivência em sociedade, necessitam ter aulas com o tatu.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sorrir sempre

Não sei bem se vivo repetindo aos quatro cantos sobre o número de anos que trabalho como professora (21 anos e 10 meses) porque não me conformo quanto a rapidez do tempo, ou se é porque me marcou bastante a aventura de procurar emprego no início da minha carreira. Ao fazer inscrição pela primeira vez nas antigas Delegacias de Ensino do Estado de São Paulo, tive que encarar meu zero ponto, final da fila. Resolvi trabalhar em outra coisa, não sabia o que, mas queria trabalhar. Afinal a família não podia manter minha faculdade.
Aos domingos meu pai comprava jornal e eu anotava endereços e mais endereços que vinham publicados nos classificados. Saía com o guia de ruas na bolsa, pois não conhecia absolutamente nada do centro de São Paulo. A frase interrogativa torturava: "Você tem experiência?"
Depois de uma lista interminável de endereços e frases "Qualquer coisa eu te ligo" entrei numa clínica e escola de estética, na qual precisava de uma recepcionista que soubesse datilografar (Não sabia muito bem), organizasse as fichas (o curso na faculdade ao qual eu havia me matriculado, Letras, me dava um pontinho) e deveria receber com simpatia aqueles que procuravam o local.
O terceiro item foi o que mais chamou a atenção da proprietária, ao entrevistar as diversas moças que ali pleiteavam uma vaga, segundo suas próprias palavras. Consegui meu primeiro emprego!!!
Esse adjetivo sempre me foi atribuído, mas só fiquei pensando sobre ele no final da semana que passou, ao ouvir a observação de um colega de trabalho, o qual disse que eu não deveria sorrir demais para os alunos, pois a partir disso não conseguiria manter a disciplina.
Pensei na observação e não consigo deixar de imaginar que ela é muito triste, pois dá a impressão que devemos estar armados sempre contra um suposto comportamento negativo, que muitas vezes aparece diante de nós justamente por mostrarmos em nossas faces o que esperamos do outro que está a nossa frente. Aliás, eu sempre me comporto esperando que o outro se comporte exatamente como eu: com simpatia.
Acredito que tal comportamento é uma obrigação e não uma qualidade que você tem ou não tem. Não saberia ser diferente, e acho que durante todos esses anos que lido com pessoas, posso afirmar com segurança que muitas vezes um simples sorriso desarma aquele que está diante de você. Alguns são mais duros, pois as armas fazem parte dos valores que criaram raízes no decorrer de suas vidas.
Eu ainda prefiro repetir o que sempre falo para as minhas filhas e alunos: "Somente faça com o outro aquilo que gostaria que o outro fizesse com você."
Sorrir sempre!!